quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Férias de Angola II

Reentro, após alguns anos fora, no Centro Comercial Brasília e o que é que vejo? Quase vazio, de lojas e de clientes. Mas a abarrotar de pedintes nos corredores, aparentemente imperturbáveis com a falência dos lojistas ou com a fuga dos portuenses para férias sem os avisarem. Procurei, sem encontrar, o lugar onde tantas vezes almocei ao ritmo da leitura do jornal do dia, a montra que me obrigou a coleccionar camisas e gravatas, a livraria onde vira tantos títulos a que achava graça e que me obrigavam a entrar para folhear livros, jornais e revistas, o balcão onde me abastecia de after-shave, mais os cremes que as meninas me vendiam sem que eu chegasse a descobrir a que se destinavam e tantas outras lojas que durante tanto tempo me forneceram tantas coisas menos a capacidade de as guardar na memória. Dizem os entendidos nestas coisas que o velhinho Brasília, que há 30 anos atrás inaugurou o conceito no Porto, pertence à primeira geração dos shoppings e que o seu declínio é um sinal de mudança nos hábitos dos consumidores. Custa-me a acreditar. Acaso deixaram os portuenses de comer? Ou de tratar da aparência? Ou de vestir? Ou de ler? Ou de ...? Bem, afinal sempre há lá agora uma «Eros-Shop». Vá-se lá entender estes entendidos.

2 comentários:

Migas disse...

O Brasília lembra-me a infância/pré-adolescência quando, aos fins-de-semana lá ia comer uns croissants recheados com um sumito, na loja mesmo por baixo das escadas rolantes. Este post fez-me recordar o bem que me sabiam essas tardes com os primos! :o)

Mudam-se o tempos e por isso, as vontades também se mudam. E se há coisinhas que não faltam no Norte, são shoppings! :o(

JúliaML disse...

O "Centro Cidade do Porto" acabou com o Brasília...
Ainda há 2 dias ia muito apressada à Bertrand e dei com o nariz na porta...era muito desarrumada e pequena, mas tinha à frente dela um óptimo amante dos livros com extremo bom gosto.Por lá, resta Nova Fronteira, do outro lado, a tocar finados, com livros esotéricos.
Os chineses e indianos ocuparam o Centro.
As grandes Lojas de classe faliram ou venderam em bom tempo,como o Lord Kim e a Gatsby.

Lembro de na Galiza me perguntarem se conhecia o Brasilia, eu encontrava nos corredores amigos de todas as cidades.
Tinha um defeito..nunca teve um bom sítio onde se comesse bem,ausência de Praça de alimentação e restaurante só havia "o Curral" que era do Manuel do Kapa Negra e dono do falido D. Manuel da Foz.

Enfim..há excesso de centros comerciais na cidade e cada vez mais eles são local de encontro, mas jamais negócio lucrativo para os lojistas, segundo estudo de espcialistas no assunto.

continuação de Boas Férias!