segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Tabaco condicionado

Miguel Sousa Tavares, em crónica habitual no «Expresso», qualificou Portugal como um «país de polícias e de eunucos». Tudo por causa da malévola nova lei do tabaco, que apelida de «lei do terror». Dentre a longa série de patifarias idealizadas por um legislador «com sérios problemas mentais» e aprovadas por «deputados incompetentes e sem coragem nem vontade própria», chega-se a recusar um último cigarro a «um velhinho, internado para morrer num lar»! Claro que isto é só mais um dos fundamentalismos do Miguel. Bem menos engraçado do que o utilizado há trinta anos atrás pelo pai, Francisco, que em plena Assembleia da República se havia ficado por justificar a discordância com um mero «coarctar da liberdade individual» de um representante do povo. Agora, depois de já nem se poder «acender um cigarro para queimar o frio e a tristeza», talvez que apenas reste ao Miguel emigrar. Por exemplo, para Angola, um paraíso de país para tabagistas empedernidos, onde se pode fumar seja em que sítio for, até nos quartos dos hoteis. E onde a frescura do ar condicionado transportado pelas condutas costuma vir acrescido do alegre e quente cheiro a tabaco.

7 comentários:

JM Coutinho Ribeiro disse...

Aqui vou eu a caminho de Luanda :-)

Mãe&Advogada disse...

Não li ainda, a crónica de MST, mas pelo pouco que pude ler neste post, dá para imaginar o tamanho da sua revolta.

Eu já tive o vício de fumar diariamente, e continuava a ter comportamentos de fumadora e de não fumadora;

por um lado, gostava mais de sair e estar com os amigos que fumavam;

por outro lado, quando estava sozinha, ou só com não fumadores, podendo escolher, nunca escolhia o lado dos fumadores, no restaurante, no hotel, etc;

talvez tenha sido isso que me facilitou a decisão de deixar de fumar!

o que não me impede, porém, de continuar a gostar de fumar de vez em quando numa festa, se estiver entre amigos fumadores!

Conheço bem os dois lados, portanto!

E acho que para que as pessoas percebam o que está em causa,

quando se trata de proibir o uso do tabaco nos lugares públicos, ou a funcionarem como tal,

é preciso, colocar o fumo do tabaco no lugar que lhe pertence:

o dos perigos efectivos para a vida e a saúde, dos que permanecem num pequeno espaço utilizado fumadores!


Ora, quando entramos num lugar destes, num país civilizado, devemos poder contar com algumas coisas:

que o lugar esteja limpo, que o seja seguro, que não exista nenhuma arma pronta a atingir-nos na nossa integridade física;

se naquele lugar, muito pelo contrário,

estiver um criminoso - mais ou menos terrorista - pronto a atacar com uma faca escondida no bolso do casaco, ou uma garrafinha com uma substância química ou biológica letal,

ou se estiver ainda um cão ou um gato à solta ( mais ou menos vacinado, mais ou menos saudável )

um cavalo uma cobra venenosa um escorpião um leão evadidos do zoo mais próximo,

ou ainda, substâncias espalhadas pelo chão que o deixem esgorregadio,

ou a qualidade do ar comprometida pela presença de substâncias perigosas, tais como gás, etanol, alcatrão e ou nicotina,

estamos certamente,

a entrar num lugar completamente minado, por uma chuva de perigos efectivos, criados por muitas anormalidades,

umas mais outras menos mentais, umas mais outras menos intencionais,

e em último termo, umas mais outras menos, (in) conscientes,

mas todas elas, sinais, de uma tremenda irresponsabilidade de alguém!



E, pelo simples facto de num determinado lugar, apenas se verificar apenas uma daquelas anormalidades,

como por ex. a anormalidade da qualidade do ar comprometida por elvados níveis de alcatrão e nicotina,

sem que isso cumule com qualquer um dos outros,

esta "singularidade" da anormalidade, não retira "irresponsabilidade", apenas a restringe!

É claro que, esta lei não vai impedir ninguém de continuar a fumar,

como outras não proibem, ninguém de se embriagar, ou de se drogar;

simplesmente,

ninguém poderá voltar a fumar em lugares em que os níveis de concentração de substâncias nocivas para a saúde humana,

se tornem intoleráveis,

à luz de um conceito

de "responsabilidade" que certamente,

terá muito pouco a ver com o de MST!



Mas o certo é que,

estas leis não impedem ninguém de ter prazer autodestruindo-se,

desde que nesse processo de auto-destruição, não sejam arrastadas outras pessoas que não tomaram essa decisão de uma forma livre e consciente com a simples decisão de entrar e permanecer ( respirando ! :) em certo e determinado lugar público ou a funcionar como tal.

E se MST conseguir pensar no fumo dos seus cigarros, como sendo aquilo que são, e nada mais do que isso - como substâncias perigosas que representam perigo efectivo para a saúde e em último termo para a vida dos fumadores passivos que partilham espaços escassos com fumadores compulsivos,

iria sentir-se,

não como uma vítima desta lei,

mas apenas (!?!) como um dos milhares e milhares de agressores,

cujos comportamentos perigosos e efectivamente lesivos do direito à vida e à integridade física de outros,

justificaram a criação de um novo tipo - de infracção - para proteger nada mais nada menos que a Vida e a Saúde Humana - de todos - face aos actos de "liberdade irresponsável" de alguns, tantos!

O fumar, não deixa de ser um acto de imolação, que poderá continuar a sê-lo, desde que o fumador se imole sozinho sem arrastar consigo para a doença e para morte, gente inocente!

Em meu modesto entender, é disto que se trata, e de nada mais do que isto!

Não há colisão de direitos fundamentais, entre o direito a morrer e a adoecer por puro prazer na autodestruição,

quando no outro prato da balança, se encontra o Direito à Vida e à Integridade Física dos fumadores passivos!

Roberto Ivens disse...

Mãe & Advogada,

Depois de ler isto, um fumador acabará, certamente, a arfar...

Mãe&Advogada disse...

:)

passei apenas para me desculpar pelas gralhas :)

nelas se incluindo :) a do chão esgorregadio :))

que já me valeu umas valentes gargalhadas :)

se quiser que eu apague e volte a publicar corrigido, eu faço isso, amanhã :)

tenha uma boa noite!

Roberto Ivens disse...

Mãe & Advogada,

Creio que os fumadores já terão a sua conta...

JM Coutinho Ribeiro disse...

Já me tinham chamado muitas coisas, mas ainda ninguém me tinha equiparado a um terrorista. Andamos sempre a aprender.

non! mon amour! disse...

Se for a pensar assim,

Sr. Dr. JMCR,

também poderia ter-se sentido comparado

a um gatinho transformado num trenzinho de pulgas atravessando alegremente um restaurante :)

é tudo uma questão de opção ~~

eu percebi perfeitamente o que a M&A nos quis dizer com o seu comentário!