domingo, 18 de novembro de 2007

Plano Camões

Durante uma viagem no elevador de serviço do hotel, dei com vários empregados, jovens, a discutirem as suas cores clubísticas. Por aqui, o Petro e o 1º Agosto são referências holísticas tão disputadas quanto os portugueses Benfica e Sporting. Cada um destes jovens reivindicava as virtudes únicas dos clubes do coração com a curiosidade de se lhes referirem reivindicando a nossa exaltação léxica, isto é, o benfiquismo do Petro ou o sportinguismo do 1º Agosto. Numa demonstração da abastança das referências a Portugal que paira no imaginário da população angolana. Já em muitas outras ocasiões tive oportunidade de verificar esta atractividade e que a língua de Camões lhes tem legendado muitas outras facetas das suas vidas.
Não existem quaisquer censos recentes em Angola. No entanto, estima-se que sejam cerca de 16 milhões os angolanos residentes e que 54% tem menos de 20 anos. Este challenge demográfico poderia também converter-se num outro desafio para a língua portuguesa, do tipo Plano Marshall, que tem aqui uma enorme e talvez única oportunidade de renovação. Haja no Terreiro do Paço maior clarividência do que estátuas ao grande Luís Vaz e se saiba aproveitar as excedentes virtudes pedagógicas do professorado em Portugal, antes que seja extinto pelo surto de doenças profissionais que ultimamente o tem acometido.

1 comentário:

PASSEI, VI E disse...

Roberto

A palavra CU não leva acento, visto que palavras agudas terminadas em I e U não o levam. Ex: MI (nota), SENTI, AQUI, PERU,LIRU,URUBU...

Desculpe este reparo a bem da Língua Portuguesa!