sábado, 20 de setembro de 2008

Globalização natural?

Depois de ter passado uns dias isolado nos arredores de Joanesburgo, num lodge que pretende vender packages de horas de ensinamentos em ambiente bucólico, na vizinhança de um parque público que oferece a quem por lá anda longos espaços relvados, canteiros de flores cirurgicamente escolhidas desenhados a picotado no terreno cheio de árvores e sombras, um lago que se espraia entre pequenos diques de rochas e até uma pequena montanha que esguicha uma catarata duvidosamente natural, tudo vigiado por cisnes, patos, pássaros e patrulhas de polícias que tentam evitar o surto de violações que ocorrem naquele espaço, enfiado numa sala com outras pessoas a assistir a um curso sobre liderança de equipas, em que Alec Ferguson, o coach do Tiger Woods e o treinador da selecção sul-africana campeã de mundo de rugby eram a santíssima trindade do grupo de monitores, eles próprios a não desprezarem o sonho de chegarem a gurus de alguma coisa que lhes fizesse luzir o sorriso na capa de um best-seller exibido nas pancartas dos supermercados, passeei-me uma tarde num shopping em Eastgate, que será três a quatro vezes maior que o português Colombo e acabei a interrogar-me se a globalização não estará a matar as salutares diferenças que sempre houve entre pessoas, povos e culturas e se o que consideramos evolução natural não estará afinal a transformar-nos em rebanhos de consumidores famintos que pastam nos mesmos prados de cartão de crédito e ar condicionado das mesmas lojas que a Zara, a Nike, o MacDonalds ou o Woolworths mantêm abertas para que possamos ter a sensação de que somos livres de lá sair.

2 comentários:

Té la mà Maria - Reus disse...

very good blog, congratulations
regard from Reus Catalonia
thank you

terezadapraia disse...

um post muito interessante, mas essa imagem me parece um pouco excessiva ~~

não era preciso insultar o porco daquela maneira ~~