segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Máxima velha e relha

Dizia-se à boca cheia em alguns cantos que muita coisa iria mudar depois das eleições. Designadamente que seria o fim da mobilidade dos candongueiros no centro de Luanda, que o governo fixaria o dolar a valer bem menos que 70 kwanzas, que diversos musseques desapareceriam do mapa de um dia para o outro, que centenas de milhares das pessoas que deambulam na capital acordariam um dia bem no interior do país e que seria enfim liberalizado o mercado dos licenciamentos, desde a construção de hoteis e shoppings até à exploração mineira. Mais importante que tudo, passaria a privilegiar-se os investimentos na agricultura, facto extraordinário num país que tem tanto de deficitário de produtos e know-how nos sectores da produção alimentar quanto de superavitário em terrenos férteis não cultivados e na propaganda a slogans do tipo «em solo angolano estrangeiro não mexe» com que as autoridades vêm preferindo manter o capim a saciar a fome de tantos. Mas, afinal, o primeiro acto simbólico da anunciada mudança acabou por ser a compra de 49,9% do Banco de Fomento de Angola, líder do mercado e filial do português BPI. Nova postura do regime? Nah, trata-se da mesma velha postura parasitária de sempre. A de sugar o tutano dos investimentos rentáveis e cruciais no desenvolvimento da economia angolana e sem que os accionistas locais acrescentem verdadeiramente alguma coisa, para lá da velada ameaça da Sonangol em retirar depósitos e secar tesourarias aos renegados. Sobra então a velha e relha máxima de que não é Angola quem precisa do mundo mas, sim, este daquela.

2 comentários:

yes! my love! disse...

sem as sombras esse ovo não seria um ovo,

o telhado não seria um telhado,

e nada nesse quadro faria muito sentido!

no entanto, nada me parece mais frágil ~~

não fosse a certeza de que para além da sombra,

o objecto - se não for o sujeito -

existe,

e de sombra pouco teria!



belo post!

Diário da África disse...

Ivens,
Nada mais precisa ser dito. Está tudo aí dito.