
O que é sobretudo irritante no
soundbyte do caso
Freeport não é saber se Sócrates meteu a mão na massa, se a mãe comprou o apartamento com a pensão de reforma aplicada no
off-shore ou se o tio falsificou-se como testa-de-ferro do sobrinho ministro. O que é irritante é que o País inteiro se ponha de lupa em riste às ordens de uns quaisquer
Bobbys de uma esquadra da polícia inglesa, tardiamente tomados por um ataque de justicialismo sobre uma ressabiada carta anónima. Que, entretanto, se encontrem outros cidadãos da União Europeia a serem pressionados para cederem aos desempregados locais os empregos que, certamente, terão sido legitimamente conquistados nas refinarias da Escócia e nas plataformas petrolíferas do Mar do Norte, já lhes parecerá uma questão de somenos. Curiosamente, esta hipocrisia tem sido replicada por tudo o que é blogue no rectângulo, confortavelmente resguardados na brisa acusadora proveniente da nobre e exemplar Inglaterra. É o regresso do raquítico provincianismo português, como certamente escreveria o blogger Fernando Pessoa.
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